FIAT G 91 R/4 n.º 5438 («5407»)

03-01-2026

O FIAT G 91 é um caça-bombardeiro, subsónico, desenvolvido na década de 1950 como um projeto da indústria aeronáutica italiana para responder a uma solicitação da NATO/OTAN para encontrar um caça ligeiro com características de baixo custo de manutenção, boas performances e elevada robustez que pudesse ser utilizado pelos países aliados. No entanto, apesar de ter sido a proposta vencedora, o FIAT G 91 acabou apenas por ser adquirido, para além da Itália, pela República Federal da Alemanha (R.F.A.).

O FIAT G 91 R/4 em exposição no Museu do Ar foi produzido nas instalações da empresa FIAT Aviazione, em Turim, na Itália, sob o número de construtor 91-4-0142. Fez parte de um lote de 50 aviões FIAT G 91, produzidos em 1962 tendo por base uma planeada compra por parte da Grécia e Turquia, financiada pelos Estados Unidos da América. No entanto o processo de aquisição não foi finalizado por razões políticas, tendo as aeronaves deste lote sido direcionadas para a R.F.A.. Estes FIAT G 91, identificados pela versão R/4, possuíam algumas caraterísticas distintas face à versão R/3, já operada pela Força Aérea daquele país (Luftwaffe). Para além de algumas diferenças nos aviónicos, a principal característica distintiva residia no armamento interno: os G 91 na versão R/4 possuíam quatro metralhadoras Colt-Browning de 12.7 mm (em vez de dois canhões DEFA de 30 mm). Integrado na Luftwaffe, com a matrícula «BD+374», ficou adstrito à Waffenschule der Luftwaffe 50 (WaSLw 50), uma unidade de instrução sediada na base aérea de Fürstenfeldbruck. Em 1965, Portugal adquiriu à R.F.A. 40 destes aviões, onde se incluía o G 91 R/4 que veio a receber a matrícula n.º 5438 na Força Aérea Portuguesa (FAP).

Percurso operacional do FIAT G 91 R/4 n.º 5438

O FIAT G 91 n.º 5438 iniciou o seu percurso operacional na FAP, integrando o lote de aviões que foram enviados para Moçambique, em 1970, para constituir a segunda esquadra de combate equipada com aviões FIAT G 91 que veio a ser formada naquele território: a Esquadra n.º 702 «Escorpiões», sediada no Aeródromo Base n.º 7 (AB7), no Tete. Aqui prestou serviço, envolvido em missões de combate e reconhecimento, até setembro de 1974, altura em que aquela unidade aérea foi desativada.

Em outubro de 1974, alguns dos FIAT G 91 R/4 que se encontravam ao serviço em Moçambique foram ainda transferidos para a Base Aérea n.º 9 (BA9), em Luanda (Angola). O n.º 5438 foi um dos aviões que fizeram este trajeto, tendo para o efeito, sido desmontado e transportado por via aérea, para aquela que seria a sua «casa» durante um breve período. Com a retração do dispositivo militar português de Angola, os FIAT G 91 R/4 aí a operar foram transferidos para Portugal continental, tendo sido colocados na Base Aérea n.º 6 (BA6), no Montijo. O n.º 5438 foi um dos últimos a abandonar a BA9, em outubro de 1975. Para enquadrar a operação dos FIAT G 91 R/4 regressados dos teatros operacionais ultramarinos, tinha sido constituída a Esquadra n.º 62, em outubro de 1974, unidade a que ficou adstrito o n.º 5438, após regresso a Portugal continental.

OS FIAT G 91 R/4 viriam, no entanto, ainda a ter uma nova vida, já depois de terminados os conflitos ultramarinos. Em agosto de 1980 a Esquadra n.º 301, designação assumida pela Esquadra n.º 62 em 1978, iniciou um destacamento na Base Aérea n.º 4 (BA4), nas Lajes, no arquipélago dos Açores. Este destacamento tornou-se uma unidade aérea autónoma a partir de janeiro de 1981, tendo sido designada por Esquadra n.º 303, que adotou o cognome de «Tigres», em homenagem à Esquadra n.º 121, a primeira esquadra de voo a operar os FIAT G 91 nos territórios ultramarinos. O n.º 5438 foi um dos primeiros aviões a ser mobilizado para servir nesta nova unidade aérea. Como resultado da desativação desta unidade, em 1989, os FIAT G 91 R/4 atribuídos à Esquadra n.º 303 foram retirados de serviço. Alguns, no entanto, ainda viriam a efetuar voos operacionais, posteriormente, ao serviço da Esquadra n.º 301 «Jaguares», na BA6. O n.º 5438 foi um deles, tendo realizado os seus últimos voos em 1991. Foi, desta forma, um dos últimos FIAT G 91 R/4 a voar no mundo. A desativação da frota FIAT G 91 ao serviço da FAP viria a ter lugar pouco tempo depois, em junho de 1993. Terminado o seu longo e diversificado percurso operacional, o n.º 5438 foi entregue ao Museu do Ar, tendo sido integrado no seu espólio, para efeitos de preservação de uma das mais iconográficas aeronaves de combate que serviram na FAP.


FIAT G 91 R/4 n.º 5438

Decorridos alguns anos, em 2002, o n.º 5438 foi alvo de uma marcante intervenção de restauro. O avião foi imaculadamente restaurado com o esquema de pintura que os FIAT G 91 ostentavam na fase inicial de operações na Guiné-Bissau, em 1966-67, ao serviço da Esquadra n.º 121 «Tigres». A pintura aplicada no restauro, incluiu a típica «boca de tubarão» e o símbolo sob o cockpit, na forma de uma cabeça de tigre, que caracterizavam, de forma distintiva, os aviões ao serviço dos «Tigres de Bissalanca» neste período. Adicionalmente, o FIAT G 91 n.º 5438 passou a ostentar a matrícula n.º 5407, em homenagem ao primeiro G 91 R/4 perdido em ações de combate naquele teatro de operações, em 22 de fevereiro de 1967. O FIAT G 91 n.º 5407, tripulado pelo Major Piloto-Aviador Armando dos Santos Moreira, à data Comandante da Esquadra n.º 121, foi destruído em voo como resultado da explosão prematura de uma bomba.

O FIAT G 91 R/4 n.º 5438 foi recuperado para exposição em 2002, como n.º 5407.

Depois da inauguração das novas instalações do Museu do Ar, em Sintra, o n.º 5438, com a sua nova identidade, foi aí colocado em exposição, assumindo um dos lugares de destaque da coleção de aeronaves patentes ao público.