Alpha Jet A n.º 15224

11-01-2026

O Alpha Jet é um caça-bombardeiro subsónico, bilugar, desenvolvido no âmbito de um projeto conjunto franco-alemão, pelas empresas aeronáuticas Avions Marcel Dassault-Bréguet Aviation e Dornier Flugzeugwerke. Em 1993 a República Federal da Alemanha forneceu a Portugal um lote de cinquenta destas aeronaves, cedidas no âmbito do acordo sobre a cessação da cooperação bilateral no domínio da utilização da Base Aérea n.º 11 (BA11), em Beja. Integrado nesse lote estava o Alpha Jet A que viria a receber o número de cauda «15224» na Força Aérea Portuguesa (FAP). Produzido nas instalações da Dornier Flugzeugwerke, com o número de série A073, em 1980, entrou ao serviço da Força Aérea da República Federal da Alemanha (Luftwaffe) em setembro desse mesmo ano. Na Luftwaffe, ostentando o número 40+73, integrou a Jagdbombergeschwader 49 (JaboG 49), unidade de combate sediada na base aérea de Fürstenfeldbruck, situada nos arredores de Munique. Voou ao serviço da Luftwaffe um total de 2.637 horas, até novembro de 1993, altura em que foi transferido para a BA11.

Percurso operacional do Alpha Jet A n.º 15224

Recebido com o esquema de pintura em tons de cinzento (Norm 72), típico da Luftwaffe, foram-lhe aplicadas as insígnias nacionais, tendo o seu voo de aceitação pela FAP sido efetuado em 2 de dezembro. A partir de então, à semelhança dos restantes aviões da frota, passou a ser operado de forma partilhada pelas Esquadras n.º 103 «Caracóis» e 301 «Jaguares».

Ao longo do período de serviço na FAP, o Alpha Jet n.º 15224 participou naturalmente em diversos eventos relacionados com a atividade operacional das duas esquadras. Digno de registo, logo em maio de 1994, o n.º 15224 foi um dos Alpha Jet que se deslocaram à Base Aérea de Cambrai (França) integrando a representação da Esquadra n.º 301 no exercício multinacional NATO Tiger Meet, naquela em que foi a primeira participação dos «Jaguares» neste evento com a nova aeronave.

No verão de 1997 rumou às Oficinas Gerais de Material Aeronáutico (OGMA), em Alverca, onde foi submetido a um processo de manutenção profunda programada (Depot Inspection). Nesta ocasião recebeu igualmente o esquema de pintura de camuflagem nacional, que ostenta atualmente. No final do mesmo ano haveria de voltar às OGMA para lhe serem instalados diversos equipamentos que permitiam melhorar o seu desempenho operacional, possibilitando o seu empenhamento em missões de apoio aéreo próximo e reconhecimento tático, nomeadamente, um sistema de reconhecimento e sistemas de defesa passivos: aviso de deteção por radar e de contramedidas para a utilização de chaff e flares. Mais tarde, em 2000, foi ainda equipado com novos sistemas de referência de rumo e navegação.

Alpha Jet A n.º 15224

Em novembro de 2005, a Esquadra n.º 301 foi transferida para a Base Aérea n.º 5 onde assumiu a operação do F-16 MLU Fighting Falcon. A partir desta altura a frota Alpha Jet A passou a ser operada em exclusivo pela Esquadra 103 nas missões de instrução avançada de pilotagem e conversão operacional de pilotos de combate. Em face da diminuição das necessidades operacionais processou-se, a partir de então, à redução da frota Alpha Jet, que então contava com um efetivo de vinte e cinco unidades, para dez aeronaves. Este processo foi efetuado através de um gradual abate ao efetivo das aeronaves classificadas como excedentárias, lote onde estava incluído o n.º 15224.

No entanto, ainda antes de terminar da sua carreira operacional, o Alpha Jet A n.º 15224 ficou indelevelmente associado à história dos «Caracóis». Foi com ele que, no dia 23 de maio de 2007 a Esquadra n.º 103 quebrou a barreira histórica das 100.000 horas de voo, tendo a marca sido atingida no decorrer de um voo de treino de contato e instrumentos.

Com um total de 4.432 horas de voo averbadas, 1.795 das quais na FAP, o Alpha Jet A n.º 15224 efetuou o seu último voo em 9 de outubro de 2007.

O Alpha Jet n.º 15224 esteve ao serviço da Força Aérea entre 1993 e 2007.

Em 2012, após pintura e recondicionamento, foi colocado em exposição no Museu do Ar, tendo sido configurado em monolugar, com o sistema de guerra eletrónica (ECM) colocado no lugar da cadeira de trás. Adicionalmente, ilustrando a ampla capacidade de armamento que o avião podia transportar (até 2.200 kg de armamento suspenso, incluindo bombas inertes e de fragmentação), foram-lhe instalados nas estações interiores das asas suportes de armamento onde são visíveis quatro lançadores de foguetes ar-terra (FFAR, de 2,75 polegadas). Para além disso, exibe um gun pod ventral, onde está instalado um canhão (Mauser BK-27), de calibre 27 mm, com capacidade para 150 munições, que lhe conferia um assinalável poder de fogo. Nas estações subalares exteriores, tem instalados dois tanques de combustível ejetáveis (drop tanks), com capacidade para 310 litros cada. Estes depósitos, permitiam aumentar a autonomia do avião e, em caso de necessidade, podiam ser ejetados, aumentando a capacidade de manobra e diminuindo a resistência aerodinâmica.